Precisamos falar sobre aborto!

Postado por Horizontes em 10/jul/2018


O aborto é uma das principais causas de morte materna no mundo, a maior incidência acontece em países em desenvolvimento.

A falta de acesso à educação, a desigualdade de gênero, a pobreza, as vulnerabilidades sociais, a dificuldade de acesso à informação e direitos humanos são as principais causas para que o aborto clandestino e inseguro atinja, especialmente, as mulheres pobres, marginalizadas e não brancas.

O aborto precisa ser enfrentado na perspectiva dos direitos sexuais e reprodutivos.

Criminalizar a prática significa penalizar as mulheres, principalmente, as mulheres mais pobres e menos favorecidas pela sociedade.

Por conta da criminalização do aborto, inúmeras mulheres realizam este procedimento de forma insegura e clandestina. Os danos provocados podem implicar em sequelas à saúde física, mental e reprodutiva da mulher, o que configura em vários aspectos violação dos direitos humanos.

No Brasil a pratica do aborto ainda é considerada crime.

As exceções para que o aborto ocorra são: em caso de estupro, quando a gravidez apresenta risco à gestante ou em casos de bebês anencéfalos.

Fundado em 1994, o Serviço de Violência Sexual e Aborto Legal do Pérola Byington, é atualmente o principal serviço de aborto legal do país, realizando abortos em todas as circunstâncias previstas em lei.

Em 2017, estima-se que o hospital realizou 400 abortos. No Estado de São Paulo, o hospital que chega mais próximo a isso é a Maternidade Prof. Mario Degni, localizada no Rio Pequeno, que, segundo dados do Ministério da Saúde, fez oito interrupções no primeiro semestre do mesmo ano.

Deve-se enfrentar a pratica do aborto como uma questão de saúde publica e cuidado na preservação da integridade física e psicológica dessas mulheres, não como um ato de infração moral de mulheres consideradas irresponsáveis.

A descriminalização do aborto é uma medida urgente para a reversão dos atuais indicadores de morbidade e mortalidade feminina.

A ilegalidade do aborto no Brasil não significa que as mulheres deixem de realiza-lo. Países onde a pratica foi legalizada diminuíram os números de aborto e morte materna. Faz-se necessário debater para que nós mulheres tenhamos o direito de escolher sobre nossos corpos. Aborto legal, seguro e gratuito para que mulheres pobres e pretas parem de morrer!

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