94% dos ginecologistas e obstetras afirmam que planos de saúde prejudicam autonomia médica, diz pesquisa.

Postado por Athos F. Lima em 06/jul/2018


De acordo com uma pesquisa da SOGESP-DataFolha divulgada nesta quinta-feira (5), quase a totalidade dos ginecologistas e obstetras do estado de São Paulo, 94%, apontam que planos de saúde interferem na autonomia médica.

Esta interferência que, segundo Rossana Pulcineli Francisco presidente da SOGESP, está relacionada às questões econômicas, tem se intensificado com a crise atual e impacta diretamente na qualidade do serviço prestado.

“A gente vê que a pressão do plano de saúde é pela redução de custo. Então eles aumentam a glosa [não pagamento, por parte dos planos de saúde, de valores referentes a atendimentos, medicamentos, materiais ou taxas], a não autorização de exames e a pressão para que médicos prefiram a rede própria do plano, ainda que o paciente possa escolher qualquer hospital”

” O médico quer colocar para o paciente aquilo que tem de melhor, que é o ideal. Então é ruim quando se fala em uma interferência, porque afeta a prática médica”

Outros dados importantes da pesquisa feita com 604 profissionais distribuídos no Estado, das especialidades de ginecologia, obstetrícia e medicina de diagnóstico é que seis em cada dez entrevistados denunciaram pressão para restringir internações, aproximadamente sete em cada dez profissionais avaliaram o serviço das operadoras como regular, ruim ou péssimo e mais de 60% deles disseram que pretendem se descredenciar ou se descredenciaram de planos nos últimos 5 anos.

Além dos planos de saúde, o estudo também avaliou o Sistema Único de Saúde (SUS) e os resultados também não foram animadores, já que oito em cada dez médicos avaliaram a qualidade dos serviços públicos como regular, ruim ou péssima e 93% deles afirmou ter sofrido ou presenciado algum tipo de agressão no ambiente de trabalho.

 

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